Final infeliz

 “… restará aos usuários do Metrô perceberem que, onde foi o Monroe, haverá uma misteriosa curva…” *

 

Os cariocas devem conhecer essa história…

O Palácio Monroe foi inicialmente projetado  pelo Coronel arquiteto Francisco Marcelino de Souza Aguiar para ser o Pavilhão do Brasil na Exposição Universal de Saint Louis, nos Estados Unidos, em 1904.  O projeto foi então premiado, inaugurando o reconhecimento da arquitetura brasileira internacionalmente. A estrutura metálica do Pavilhão (1700m quadrados de área construída)   foi desmontada em Saint Louis e reerguida no Rio de Janeiro.   Ao longo do tempo o prédio abrigou, dentre outras coisas,  a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o Tribunal Superior Eleitoral e o Estado Maior das Forças Armadas.

Em 1974 os túneis do Metrô do Rio de Janeiro, então em construção, foram desviados para preservar o prédio, exigindo um enorme investimento tecnológico e material. Contudo,  no mesmo ano, o Jornal O Globo resolveu defender que o Palácio era feio e atrapalhava o trânsito, recebendo reforço de outras vozes como o arquiteto modernista Lucio Costa ( pois é…) Apesar de muitos protestos, o  então presidente Geisel autorizou a demolição do prédio.

Constava em um editorial publicado pelo jornal O Globo:  “(…) Foi, portanto, vitoriosa a campanha desse jornal que há muito se empenhava no desaparecimento do monstrengo arquitetônico da Cinelândia. (…) O Monroe não tinha qualquer função e sua sobrevivência era condenada por todas as regras de urbanismo e de estética. Em seu lugar o Rio ganhará mais uma praça. Que essa boa noticia, que coincide com o fim das obras de superfície do metrô da Cinelândia seja mais um estímulo à remodelação de toda essa área de presença tão marcante na história do Rio de Janeiro.” (grifo meu)

Um Jornal, um militar e um arquiteto: é tudo que precisa pra botar  abaixo um prédio histórico de arquitetura premiada.

* Manifesto contra a demolição  sobre a curva que o traçado do Metrô fez na Cinelandia pra preservar o Monroe.

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6 Respostas to “Final infeliz”

  1. Ótima lembrança Ananke. A demolição do Monroe foi um dos maiores crimes contra o Rio.Derrubou-se uma das maiores lembranças do tempo em que éramos a capital federal.Mais uma mácula na história do poderoso jornal e do regime militar.Quanto ao Lúcio Costa…bem,esse é da turma dos Modernistas,acostumados a projetar e construir aqueles caixotes horrendos da era soviética e monumentos bizarros .

  2. A referência aos militares é que é engraçada…

    Outros governos cansam de fazer merda, mas nunca associam a merda aos civis (pelo menos nunca escutei “basta um civil, um arquiteto e uma Deusa para fazer merda,,, – grifo meu”).

    O próprio texto corrige a injustiça: “O Palácio Monroe foi inicialmente projetado pelo Coronel arquiteto Francisco Marcelino de Souza Aguiar”.

    • Ananke Says:

      Alguem viu o comentário que eu postei aqui?
      Jurava que tinha postado um comentário aqui antes de ontem… ( Não, eu não bebi hoje, gente…)

  3. Assunto muito oportuno num tempo em que prédios antigos caem de podre no centro do Rio.

    Brincadeirinha. Agora sério. Serei aqui o advogado do diabo.

    Se o então presidente militar tivesse determinado a demolição no uso de suas prerrogativas ditatoriais, eu também estaria lamentando o desfecho dessa história. Mas não foi bem assim que aconteceu.

    O post se coloca com um dos lados da questão: o que foi voto vencido. Mas há o outro lado, que defendeu a fim do palácio. E, francamente, duvido que esse outro lado tenha votado pela demolição “só de sacanagem”.Certamente tivemos argumentos das duas partes e acabou prevalecendo, na época, os da turma da bola de ferro.

    E não acredito que um jornal sozinho tenha conduzido isso. Outros veículos devem ter ido na mesma corente. Lembrando que a imprensa é algo feito por pessoas e comprada por pessoas. Ou seja, tinha pessoas que queriam o fim do elefante branco. Fora o Lucio Costa, verdadeiro projetista de Brasília, que deve ter percebido o quanto a obra estava atrapalhando a vida da cidade. E ele não estava sozinho. Como colocado no texto do post, “outras vozes” tinham a mesma opinião.

    A história desse palácio me lembra a tal Cidade da Música “construída” pelo Cesar Maia. A diferença que essa jamais funcionou pra coisa alguma; já aquele serviu de várias coisas para, no final, descobrirem que não servia pra nada.

    • Eram os anos 70 e o desenvolventismo insano estava no auge.O Monroe poderia ser hoje um museu,abrigar alguma repartição pública…sei lá.O que,pelo menos para mim,prova o erro na sua demolição, naquelas circunstâncias,é que NADA foi feito no lugar,além de uma praça que se notabilizou por abrigar mendigos,celerados e outros tipos “diferenciados”.

  4. Ananke Says:

    É, nobres colegas, seria leviano dizer que a demolição do Moroe foi “só de sacanagem”. Mas defendo que foi desnecessária. Como bem lembrou o Capitão, nada de muito representativo foi colocado no lugar. Então me parece ter sido um desperdício: o Metrô ja tinha sido desviado e o prédio – permita-me discordar, nobre colega Boko Moko – tinha potencial em si.

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