A culpa é dele

Ricardo Boechat é um comunicador de primeira. Sem ele o programa matinal da Band News FM perde quase toda a graça.

No entanto, tem umas idéias meio estranhas, beirando o nonsense. Outro dia estava ele a comentar uma notícia sobre meninas de rua em SP que aprontaram poucas e boas. Na conclusão ele dispara em seu microfone para todos os ouvintes: a culpa é nossa!

Não foi pela primeira vez que mandou essa. O cara simplesmente botou na cabeça que somos culpados por tudo que é mazela que aflige a sociedade.

Eu digo que não! Não tenho culpa se uma vaca educou sua filha pra ser bandida ainda na infância. Tampouco tenho a ver com os vagabundos nojentos que arrastaram uma criança ao arrancar com o carro roubado. Sim, o radialista afirmou que a culpa dequela barbaridade era nossa também.

Talvez o Sr. Boechat não dê educação aos seus filhos, sonegue impostos e não pratique nenhum tipo de caridade. Problema dele, então! Que carregue no próprio lombo toda a podridão que está intrínseca ao zé povinho.

Tenho nada com isso.

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6 Respostas to “A culpa é dele”

  1. PHYODA Says:

    Nem culpa nem descaso… se formos procurar a culpa, vamos até a formação do Estado Brasileiro… Talvez, possamos, no lugar de banalizar, procurar saber como cada um pode se responsabilizar pela mudança do que está, e não pela causa.
    Quem sabe pensar mais além de nossa própria família e fazer algo pela mãe que todos julgamos uma vaca possa ajudar a também superar as nossas próprias opressões?
    Enquanto pensarmos e agirmos cada um no seu quadrado, nesse mundo do personal, do Ipod, Ipad, Euisso, Euaquilo, eu, eu, eu, eu, eu, o rodo cotidiano continua levando a galera pro buraco.
    Também não me sinto pessoalmente culpado, mas, me sinto historicamente responsável por fazer alguma coisa.
    Vcs não?

  2. Dizer “a culpa é nossa” pode até funcionar como frase de efeito ( e sequer é das melhores), mas pára por aí. Em sendo ele o cara que é, consideremos que ele não quizesse dizer que a culpa fosse minha, ou sua, ou mesmo dele, mas que a culpa fosse nossa como grupo, como sociedade que, direta ou indiretamente, cria e faz circular valores distorcidos, que banaliza a violencia, que oportuniza que uma vida valha tão pouco e assim vai.

    O ponto de vista defendido no post é claro e eu diria que é um posicionamento bastante racional. Contudo tenho que concordar com o Phyoda ( e olha que isso é desconfortável…rsrsrs): a questão deveria ser deslocada da culpa para a co-responsabilidade pela mudança.

  3. Rocco Says:

    Proselitismo barato.
    Quanto mais individualista formos, melhor será a sociedade. E mais democrática também!

  4. Boko Moko Says:

    Lembrei de mais. Talvez ele…

    … seja consumidor de drogas e, por consequencia, patrocinador do crime organizado;

    … seja mal vizinho;

    … piche muros, queime lixeiras, destrua orelhões… enfim: vandalismos em geral;

    … faça gatos de luz e/ou água;

    … use carteirinha de estudante falsa pra pagar meia em cinema, teatos e shows.

    Quem se enquadrar em 1 ou mais dessas “qualidades” pode se sentir culpado.

  5. Boko Moko Says:

    O que eu quis dizer com esse post:

    Embora não sejamos nascidos em Kripton, tudo que pudermos fazer para tornar a sociedade melhor, faremos: andaremos dentro da lei, educaremos nossos filhos, manteremos a cidade limpa, praticaremos caridade sempre que possivel, colaboraremos com a vizinhança, dirigiremos com cuidado e respeito com os outros carros e pedestres, trataremos qualquer um com respeito, faremos nosso trabalho da melhor forma que pudermos, etc.

    Se depois de tudo isso o Sr. Boechat nos diz que somos culpados por vândalos e assassinos, que nos diga também o que podemos fazer para nos redimirmos.

  6. PHYODA Says:

    Porra Boko, vc engasgou com a culpa cara… deixa isso pras carolas meu. O cara só queria uma frase de efeito meia boca pra vender opinião publica. Jornalista se acha mesmo, num tem jeito.
    Mas acho que dá pra sistematizar mais a assistência (não o assistencialismo), encontrar causas que valham a pena e sejam bem fundamentadas e conduzidas por organizações sérias.
    Engajar-se faz bem pra saúde social.
    Vamos deixar o Rocco Smith morrem em paz, né? Tadinho.

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