Salve o Broa!

Assisti agora há pouco um documentário sobre o roubo da Taça JULES RIMET.

Como alguns membros sabem, tenho interesse em desagravar um contra-parente meu… Aí vai a história:

Acompanhe a triste história sobre o roubo da “Taça Jules Rimet” que em dezembro deste ano estará completando 28 anos do crime. A taça foi conquistada, em definitivo, pela Seleção Brasileira, na Copa de 70, no México. Decorridos 13 anos daquela clássica imagem do capitão Carlos Alberto Torres erguendo a cobiçada estatueta, a taça original era roubada do escritório da CBF, no Rio. Derretida, parte da “Jules Rimet” foi transformada em barras de ouro para a comercialização no mercado negro. “Sérgio Peralta” vivia numa mansão (como foragido da Justiça), a um quarteirão do 25º BPM, em Cabo Frio, onde, somente às vésperas da Copa de 1994, seria descoberto, após a prisão provisória em 1984 e a tardia condenação judicial em 1988.
O roubo da “Taça Jules Rimet” foi planejado por “Sérgio Peralta“, representante do Atlético Mineiro na CBF e empresário de jogadores. Freqüentador assíduo da então CBD, o acusado sabia, como poucos, os detalhes do prédio e o local onde ficava a estatueta original da copa do mundo. “Peralta” morava no bairro portuário de Santo Cristo onde, numa roda de baralho, confidenciou seu plano a Antônio Setta, o “Broa”, X-9 e delinqüente que era considerado, pela polícia, um “especialista” em abertura de cofres do Rio de Janeiro. 
“Broa”, no entanto, surpreendeu “Peralta”: não topou participar do roubo, alegando motivo sentimental. Ele perdeu um irmão, vítima de infarto, justamente no final da Copa de 70, após a goleada de 4 a 1 contra a Itália. “Peralta” não se deu por vencido e, no mesmo bar de Santo Cristo, colocou em ação, semanas depois, o chamado “plano B” para o seqüestro da “Taça Jules Rimet”. O ex-bancário Sérgio “Peralta” convocou então o ex-detetive Francisco José Rocha Vieira, o “Chico Barbudo” (expulso da polícia por ter roubado uma metralhadora da Delegacia de Paracambi). Chico tinha problema psiquiátrico e, por isso, estava aposentado. Mas “Barbudo” atuava no mercado negro de compra e venda de ouro e jóias. O convite de “Peralta” caiu como uma luva para o ex-tira. 
Faltava agora o nome do segundo homem para a invasão à sede da CBF no 9º andar do prédio da Rua da Alfândega, 70, no centro do Rio. Freqüentador da mesma roda de baralho de Santo Cristo, o decorador José Luiz Vieira da Silva, o “Bigode”, aceitou participar da trama, que ganhou protestos pelo mundo afora.Dois dias antes do ataque, o futebol entrara de férias no país. O clima era tranqüilo e já não havia a circulação de cartolas no prédio da CBF. “Peralta” reuniu-se com “Bigode” e “Barbudo” para discutirem as estratégias da invasão à sede da Confederação.
Por volta das 21h daquela segunda-feira, 19 de dezembro de 83, a dupla invadiu o prédio com a missão inicial de imobilizar e amordaçar o vigia João Batista Maia, com quem estavam as chaves das salas da CBF.”Peralta” contou com uma irônica ajuda. A vitrine tinha vidros a prova de bala, mas era presa à parede, com pregos.Ali estava exposta a “Taça Jules Rimet” original, e a réplica,ironicamente, recolhida a um cofre. A operação criminosa foi facilmente executada pela dupla, que, de lambuja, levou dois outros troféus.
No encontro depois com “Peralta”, “Barbudo” apresentou o caminho mais rápido para derreter a “Jules Rimet” e fazer dinheiro. Agente do mercado ilegal de ouro e jóias, “Barbudo” conhecia bem esse submundo e seus cúmplices. Por isso, ficou encarregado de fazer contato com o argentino Juan Carlos Hernandes, que mexia com drogas, ouro e vivia ilegalmente no país. Juan tinha um equipamento artesanal, mas capaz de extrair e derreter 1k e 800g do ouro contido na taça, feita em prata de lei e com base em lápis-zaluli, com 35cm de altura e peso total de 3k e 800g. 
O argentino já mantinha comércio de ouro no centro do Rio há mais de 3 anos. Ele “comemorou” a chegada do serviço anunciado pelo parceiro “Barbudo”, trocando a razão social de sua firma e alugando todo o 20º andar do prédio 143 da Avenida Rio Branco. O nome da nova firma de Juan – Aurimet Comércio de Metais Preciosos Ltda.– parecia ironizar o episódio. “Aurimet” forma a composição de “auri” (ouro em latim) e “met” (de Rimet) de Jules Rimet, nome do francês que criou em 1929 a cobiçada estatueta conquistada pela Seleção Canarinho.Cínico, o argentino criou a “Aurimet” um mês após o roubo na CBF.Um criminoso cara de pau.
A trama planejada por “Peralta” virou manchete mundial e o caso exigiu uma gigantesca investigação, numa ação conjunta das Polícias Federal, Civil e Militar. Lembra-se de Antonio Setta, o “Broa”, X-9 que abria cofre como ninguém – mas não quis se envolver neste roubo porque o irmão morrera durante a Copa de 70 ? Pois bem: ele se tornou personagem-chave na elucidação dessa triste e vergonhosa história. Alcagüete bem relacionado com a tiragem, “Broa” foi procurado na zona portuária por um agente federal e abriu o bico, relatando inclusive o convite que recebera de “Peralta” (mas rejeitara) para participar da empreitada criminosa.
Com a revelação de “Broa”, a polícia chegou a Sérgio Pereira Ayres, o “Peralta”, que freqüentava a CBF e se dizia representante do Atlético Mineiro. Dedurado, ele foi preso logo depois na Avenida Beira Mar, zona sul do Rio. Colocaram-lhe um capuz e, após três dias incomunicável, com direito (segundo ele à época) a sessões de torturas, “Peralta” confessara e entregou os comparsas, presos provisoriamente em 1984. Depois, todos seriam libertados, condicionalmente, a espera de setença judicial.Somente em 1988 eles tomariam conhecimento das sentenças condenatórias.”Peralta” foi condenado a 5 anos de cadeia; os ladrões “Barbudo” e “Bigode” receberam penas de 6 anos cada, e o receptador Juan Hernandes, condenado a 3 anos. 
A recaptura dos envolvidos retomaria depois as operações policiais. Sérgio “Peralta”, que morava em Santo Cristo, buscou refúgio num imóvel de classe média alta na Rua Narcísio Portugal, a um quarteirão do 25º Batalhão da PM em Cabo Frio, onde teria vivido, impunemente, durante quase uma década. “Era um homem introvertido e muito educado”, disseram os vizinhos. Preso em 1994 às vésperas de outra Copa do Mundo, Sérgio “Peralta” cumpriu pena de 3 anos em Bangu. Foi libertado em 1998. Com a saúde fragilizada, pobre e sem ouro, “Peralta” foi acometido de infarto em 2003 e morreu. 
O ex-policial “Chico Barbudo” não chegou a ser recapturado mesmo depois de condenado. Ele recorrera da sentença duas vezes, mas acabou assassinado, em setembro de 1989, num bar de Santo Cristo. “Bigode”, o ladrão decorador, fora localizado e preso em 1995. Cumpriu pena em Bangu, como “Peralta”. Depois, passou por regime semi-aberto na Colônia Agrícola de Magé. Juan Hernandes respondia também por tráfico e ficou preso na Polinter carioca. Antônio Setta, o “Broa”, cujo depoimento dera origem ao desmantelamento e a prisão do bando de “Peralta”, teria sido alvo de uma queima de arquivo. Ele morreu em acidente de carro, na Lagoa Rodrigo de Freitas, dois dias antes da data marcada pela Justiça para depor.. Nunca se soube oficialmente o paradeiro do ouro extraído da taça

5 Respostas to “Salve o Broa!”

  1. Ananke Says:

    Que saga. Na minha santa ignorancia a versão era mais curta: roubaram a taça, derreteram a taça, o Brasil ficou desmoralizado.

    A dita já tinha sido roubada antes na Ingaterra, não?

  2. Rocco Says:

    É verdade! Aqui eu só contei a parte brazuca.

    Na Inglaterra foi um cachorro que encontrou a taça…

  3. Darth Pinto Says:

    Aqui no Brasil derreteram o cachorro junto…

  4. Rocco Says:

    Não, foi um cachorro comum…

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