Lie To Me

O erro faz parte da construção do conhecimento científico. Como bem disse Einstein, “a epistemologia sem contato com a ciência se torna um esquema vazio. A ciência sem epistemologia até o ponto em que se pode pensar em tal possibilidade é primitiva e paralisada.”
O empirismo, como concepção sobre o conhecimento científico, afirma que os cientistas obtêm as teorias científicas a partir da observação, da experimentação e de medidas; preconiza a dependência da comprovação feita pelos sentidos, da experiência, modelizando o mundo real. Dado que o ponto de vista do observador é único, então o simples fato de observarmos um “experimento”, já estaríamos modificando ele.

No seriado “Lie to me”, Cal Lightman (faz ponta em 2 filmes do Tarantino- Cães de Aluguel e Pulp Fiction) e sua equipe agem como verdadeiros polígrafos humanos, conseguindo desvendar microexpressões faciais e outros gestos, modelando o comportamento do indivíduo e deduzindo significados.
Cal, através do seu talento inato, padronizou essas expressões e acredita que o interessado em estudá-las consegue, da mesma forma que ele, interpretá-las. Muitos acreditam se tratar de uma pseudo-ciência, mas o bicho pega quando sua empresa de consultoria começa a prestar serviços para FBI e Casa Branca.

Vale a pena conferir a série, que está na 3ª temporada, e se questionar: quando e com quais critérios uma teoria pode ser classificada como científica?

21 Respostas to “Lie To Me”

  1. PHYODA Says:

    Elwing, epistemologia é cahcaça!
    E já passei pela abstinência…
    Seja como for, vale a pena tirar a foto de alguém logo depois de vc declarar: “eu te amo!” e tentar desvendar os mistérios da expressão de quem ouviu…
    Aí a gente começa a chegar no nível do Cal.
    hehehe
    Para os leigos é assim:
    1 Prepara-se a câmera com um pouco mais de sensibilidade pra cor.
    2 Finge-se que está brincando com a câmera.
    3 Aponte a câmera para a pessoa amada quando ela não estiver mais esperando que vc vá tirar uma foto dela e diga do fundo do seu coração: eu te amo!
    4 Clique no tempo do ponto de interrogação…
    5 Revele o filme (claro que vcs não acham que eu ia fazer isso tudo com uma câmera digital pra estragar o clima né?).
    Beijo na ponta de suas orelhas…

    • E a erva dos hobbits faz mais uma vítima…

    • Elwing Says:

      E vc acha que as microexpressões seriam as mesmas em qq um que ouvisse “te amo”??

      Esse Cal é um charlatão! Sou muito mais o House!

      • Ananke Says:

        Voce não acha que Cal e House se baseiam ambos em metodos dedutivos, variando apenas os indicadores que usam?É o mais puro determinismo.

        Gosto de assitir Lie to Me. O argumento é legal mas é levado a um extremo ainda mais fantástico do que o House. Tá legal: olhou pra direita e pra cima é provavel que esteja mentindo mas – como vc mesmo colocou- é tudo igual? Seria legal se as coisas fosem tão previsiveis assim…

      • Elwing Says:

        Tem um abismo de diferença entre o Cal e o House, Ananke!
        O House tem acesso a testes paupáveis que o orientam a um dado diagnóstico ou que o ajudam a deduzir algo.
        Daí em diante, ele segue para o empirismo mesmo e a relação entre tudo isso só faz sentido na cabeça dele!

      • Ananke Says:

        Elwing, pra mim você acabou de demonstrar perfeitamente que não há diferença significativa entre os dois no que diz respeito ao método.

        Se House é o rei da “medicina baseada em evidencias”, Cal trabalha com evidencias da mesma forma, só não são exames de imagem e laboratoriais ; são “imagens” faciais e corporais que foram supostamente catalogadas, interpretadas e classificadas por ele e que representariam uma irrefutavel prova da disposição, emoção e humor do cara . E, só pra acrecentar, dependendo da perspectiva a gente vê que as coisas não são tão “palpáveis” assim. Em ambos os casos a “subjetividade” de quem avalia interfere e muito na leitura. Se é pra falar de ciência, vale a pena lembrar que a neutralidade do cientista é uma falacia.

      • Elwing Says:

        Ananke, para mim vc só reforçou o que eu disse acima…

        Qndo vc diz “imagens faciais e corporais que foram supostamente catalogadas, interpretadas e classificadas por ele”, exatamente, foram decodificadas por uma única pessoa. Uma enzima/hormônio ou whatever se apresenta da mesma forma em todas as pessoas, dependendo do estado de saúde. Não existe subjetividade em um diagnóstico clínico. Ou vc está dentro da faixa de normalidade ou não está; e a interpretação dos resultados das baterias de exames já está toda padronizada nas bíblias da Medicina. Agora, se vc for falar de competência para ler laudos, aí são outros 500…a discussão adentraria a zona da educação, literalmente.

        Como disse no post, só em observar o cientista já estaria imprimindo sua bagagem naquele experimento, mas estamos aqui falando de empirismo. Não há empirismo em resultados de exames. Pode haver na formatação de como eles seriam realizados, daí o surgimento de novas técnicas.

        E sobre o paupável, da próxima vez coloco o (com sarcasmo).

      • Ananke Says:

        rsrsrs Essa do palpável foi ótima!

        Bem, se é pra se concentrar no que divergimos, não precisamos chegar a um consenso e provavelmente não chegaríamos já que debatemos esse assunto partindo de perspectivas diferentes. Por exemplo, da minha perspectiva ( de quem convive há muito tempo com médicos e outros profissionais de saúde) eu jamais afirmaria tão categoricamente que: “Uma enzima/hormônio ou whatever se apresenta da mesma forma em todas as pessoas, dependendo do estado de saúde. Não existe subjetividade em um diagnóstico clínico. Ou vc está dentro da faixa de normalidade ou não está” E não estou de forma alguma me referindo a competencia de interpretar laudos.

        Mas acho que ambas concordamos sobre a natureza do empirismo, a não neutralidade e que assistir House é bem mais legal do que Lie to Me! Mas eu, não sei quanto a você, partilho da crença que a ciencia como uma autoridade e como algo unificado, universal e objetivo não dá conta do mundo atual. Mas aí é entrar na epistemologia e eu tambem tô fora!

      • Elwing Says:

        Ananke, imagina ter que discutir mais de 200 laudos por dia…Não dá pra ser que nem em uma faculdade de filosofia, onde os alunos passam 2 meses discutindo 1 folha de “O Discurso do Método”. Ser pragmático não é fugir de discussões. É economizar tempo para coisas mais relevantes.

        Se vc quer estudar como uma ptn age em diferentes modelos científicos, vá para um laboratório de pesquisa. Por experiência própria, confesso que prefiro este último a um de análises clínicas….

        Btw, tb tô fora da epistemologia! rs

        • Ananke Says:

          Acho que o post levanta discussões bacanas, mas tô fora de estudar diferentes modelos científicos! Mas concordo que um laboratorio de pesquisa seria mesmo um bom local pra isso e sei que algumas cabeças pensantes atuais que discutem a ciência ( reconhecidas em um nincho especifico) como Law, Mol e Latour também concordariam.

          Sobre o pragmatismo: bem, tomar cerveja me parece uma boa hoje! rsrsrsrs

  2. Darth Pinto Says:

    Hã… E quando vocês vão usar maiô cavado e subir no ringue de gel?

  3. Paudureci violentamente com toda essa discussão cabeça e intelectual!

    • Ananke Says:

      Sempre achei que o povo aqui se excitava com umas coisas muito estranhas…

      • O modo como lançam argumentos uma na outra, é altamente erótico, quase como se estivessem se lambendo lânguidamente…

        Veja a elfa: “a discussão adentraria a zona da educação”! Sexy ao extremo! Isso é muito melhor que o efuckt! E quando você escreveu: “se é pra se concentrar no que divergimos”, quase explodi em um orgasmo bestial! Divino!

      • Ananke Says:

        Por Baco! O Efuckt do Troll é aqui!

  4. PHYODA Says:

    Dá licença, galera, que tá rolando um clima…

    …Cara Elfodona, claro que não espero que nenhuma expressão seja igual a outra! A graça do negócio é justamente a imprevisibilidade e a inadjetibilidade.
    Geralmente, a expressão fica entre um “Ih, caralho! Fudeu!” ou “Ó o cara, ae mómané…” ou um “vamos sair daqui AGORA!” ou tudo ao mesmo tempo agora…
    Vai depender do tanto de erva dos hobbits ingerida, da força mental do sujeito da experiência… multicausalidades.

  5. Rocco Says:

    “inadjetibilidade”?!!!! VAI TOMAR NO CÚ!!!

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